Força Suprema. Além da habitual “prepotência”, uma lição de superação

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A Força Suprema, grupo de rap angolano, continua a desarrumar o mercado discográfico nacional. O significado do verbo “desarrumar” é literal. Na Praça da Independência, na Casa da Juventude ou ainda na Centralidade do Kilamba – estivemos apenas na primeira venda, ao passo que das duas últimas só acompanhámos as imagens partilhadas nas redes sociais – a desarrumação foi total, com os fãs eufóricos, uns aguardando, pacientemente, em enormes filas, por um autógrafo e oportunidade de tirar uma foto com Don G, Masta, NGA ou Prodígio, e partilha-la orgulhoso e satisfeito nas redes sociais, outros apenas celebrando o momento, com álcool e tabaco, ao som do seu grupo favorito de rap.  Mas também houve quem estivesses a embriagar-se  só com os beats e a rimas da Força Suprema. O rap, para um muitos, é um droga indispensável para a vida, para superar os seus dilemas.

Mais uma vez, a Polícia teve trabalho para garantir alguma ordem numa casa cheia de adolescentes aparentemente sem rumo, mas com uma clara certeza de que, a poucos metros de si, estava um quarteto de músicos que os inspiram a viver. Mas viver de que forma?  Com álcool, prostitutas e farras sete dias por semana? Infelizmente, esta é a primeira imagem que o grupo faz passar de si, embora não seja apenas isso.  E deduzo seja essa a sua realidade porque sim... Porque os músicos o assumem e garantem que só “rimam a realidade”, alguma dela indelével no seu passado.  E é quando olhamos para o passado de NGA, Prodígio, Masta e Don G que nos apercebemos de uma história de superação, mas, lamentavelmente, tenho a impressão que esta é pouco aproveitada por quem os venera....

E a União Fez a Força é sim um exemplo de superação, mais um passo na longa caminhada de alegrias e tristezas que o grupo tem feito, apesar de, a partir da faixa dois, a habitual prepotência soar mais alto do que a humildade, com os rappers a “dar na cara” da concorrência “que está a dar pena”, mas a humildade e o reconhecimento de que o seu sucesso  é fruto do apoio essencialmente dos fãs, e da família, vão soando numa e noutra faixa. E sendo a lealdade aos nossos um dos valores dos quais não se pode prescindir, “porque um sozinho não carrega a carga”, como defende Dona Maria Júlia, a locutora que nos acompanha ao longo das 13 faixas que compõem o CD, nada dos ganhos materiais está acima amizade que une o quarteto. Esta, na verdade, é a maior lição que os jovens cujo apoio à FS “não tem preço” devem aprender, e  não apenas prender-se nos cenários de farra e desbunda dos vídeos, uma vez que eles alguns deles não passam de pura encenação.