“Defino-me como uma mulher profissional, dedicada e que ama o que faz”

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Mell Chaves abraçou, há quatro anos, o desafio de dirigir a revista Chocolate, mas a sua paixão por moda já é antiga, sendo que, em Portugal, onde viveu e se formou, trabalhou em boutiques e criou gosto por este mundo. Hoje, a gestora, que prefere ser tratada por “mulher profissional, dedicada e que ama o que faz”, em vez de jornalista, tem também um blog sobre moda e dedica parte do seu tempo a dar formação e workshops sobre este assunto. Encontrámos-nos com ela no HCTA, no início de Maio, e falou-nos dos seus projectos para os próximos meses, assim como nos revelou os segredos para uma boa selfie. 

Inaugurou, recentemente, uma parceria com a ZAP, através do programa “Vivà Tarde”. Que novidades temos desta parceria?

Faço a rubrica “Moda e Beleza com a Mell Chaves”, às sextas-feiras. Dou a conhecer nesse espaço marcas, lojas, produtos que são comercializados em Angola, para que as pessoas tenham conhecimento que podem comprar esse ou aquele produto. Algumas pessoas vêem os editoriais da revista Chocolate, e algumas fotos minhas, e questionam-nos onde adquirir.  É tudo produto vendido no país, alguns deles produção nacional, e nesse espaço tenho mostrado um pouco disso, dando dicas precisas e vejo isso como uma forma de promover o mercado local. Quanto à beleza, falo das tendência e cuidados com o cabelo, principalmente o nosso cabelo africano, as hidratações, o tipo de tratamento que pode fazer-se e onde se dirigirem.

Como é que tudo começou? Ou seja, o que surgiu primeiro? A moda ou o jornalismo?

A moda já vem de algum tempo, eu não trabalhava na área mas sempre tive um gosto muito grande por moda, aliás, lembro-me que desde miúda, e este hábito mantém-se até hoje, eu nunca gostei de ver novelas nem séries. Os canais e programas que costumo ver em casa são sempre de moda, de culinária ou de decoração. E quando vivia em Portugal, já trabalhei em lojas de roupa e daí comecei a ganhar o gosto pela moda. Há 4 anos tive o convite de abraçar o projecto da revista Chocolate e ao trabalhar nesta área aprendemos muito, mas a necessidade de estudar e pesquisar também é maior e vamos aprimorando.

Defino-me como uma mulher profissional, dedicada e que ama o que faz. Eu considero os títulos muito pesados porque nós temos que ser conhecidos como pessoas pela diversidade de coisas que nós fazemos.

 

Como é que prefere ser tratada? Como jornalista, bloguista ou como gestora?

Como Mulher (Risos). Defino-me como uma mulher profissional, dedicada e que ama o que faz. Eu considero os títulos muito pesados porque nós temos que ser conhecidos como pessoas pela diversidade de coisas que nós fazemos. Eu não estudei moda, mas trabalho na área de moda há algum tempo e muitas pessoas identificam qualidades em mim para dar formação, workshops e para informar sobre esse assunto, mas isso com base em pesquisas que eu também faço. Na parte do jornalismo, a minha área são formação as ciências empresariais, gestão e marketing. Não sou jornalista mas o gosto pela leitura e escrita, o facto de trabalhar na área há tanto tempo, e também por ter trabalhado em agências publicitárias, deixa-me à vontade. Relativamente à parte da gestão, faço a gestão da marca Chocolate, além da revista e vêm muitas novidades ainda este ano. Estamos a trabalhar há algum tempo nisso.

O slogan do seu blog é “Ver, Amar e Postar”. A cada dia, o que é que não pode deixar de ver para amar e postar?

Não se pode deixar de ver a essência das pessoas, as coisas bonitas que a vida tem para nos oferecer. Nós vivemos num mundo negativo e muito visual, onde as pessoas têm uma facilidade em julgar os outros e criticar, mas ninguém enaltece as coisas boas. Então tudo que seja bonito de se ver eu faço questão de partilhar. Embora seja um blog que fala muito sobre moda, será mais abrangente em breve, mas o meu objectivo é “catequizar” um pouco a juventude, principalmente as meninas que me seguem nas redes sócias, porque vejo muitas a serem desvirtuadas porque vão atrás das marcas, querem aparecer bem nos eventos e acham, às vezes, que o caminho mais fácil são aqueles que nós conhecemos. Pretendo mostrar que, para estar bem, não precisamos de nos agarrar às marcas. Podemos encontrar as roupas nos mercados, no “arreou”, nas feiras, mas só precisamos é saber escolher as peças certas. No blog dou dicas para mudar a consciência sobre a moda e criar-se um estilo próprio. 

 

“Nos dias que correm, as pessoas andam mais amargas, tristes e desapontadas com a vida”. Este é um extrato de um dos artigos publicados no blog. Porque é que acha que as pessoas andam mais amargas?

Por falta do que fazer. Obviamente, existem muitas insuficiências no nosso país, existe muitas coisas devem ser melhoradas, mas se nós não fizermos nada também, não vai acontecer nada. Falta-nos muito civismo e amor próprio, porque estamos sempre mais preocupados com os outros do que connosco mesmo. Em vez de investirmos o nosso tempo e energia na construção de algo melhor, passamos a vida a analisar e a falar mal dos problemas dos outros nas redes sociais e noutros espaços. É preciso ter um espírito muito forte para conseguir lidar com tanta maledicência que há aqui...

Nós vivemos num mundo negativo e muito visual, onde as pessoas têm uma facilidade em julgar os outros e criticar, mas ninguém enaltece as coisas boas.

 

Quantas selfies faz por dia? Existe alguma técnica para que saia sempre bem na foto? Qual é?

Isto depende do Look (Risos), se eu me sentir realmente bonita naquele dia, vestir alguma coisa que me favoreça, ai capricho. E o telefone as vezes fala comigo e diz Mell para. Mas respondendo a pergunta, umas vinte (20) selfies, para depois postar uma ou duas fotos, ou seja, para encontrar primeiro um ângulo certo. Porque existe um ângulo especifico para a foto ser perfeita, por que senão sai os rosto muito grande a testa grande ou aquela olheira. Hoje quase que já não precisamos de um fotografo, a própria internet os aplicativos telefónico, os filtros as cores e as vezes o Photoshop já nos permite fazer uma infinidade de coisas fantásticas. A técnica é o ângulo e o que se vai vestir. Mas também depende muito do carisma, quando as pessoas são carismáticas e atraem de alguma forma mesmo quem não lhe conhece.   

Como é o seu dia-a-dia?

A primeira coisa que faço quando acordo é beber um copo de água fresca (Risos). Sei que faz mal... Nos dia que treino, vou ao ginásio, e quando não há vou levar a minha filha à escola. Depois volto para casa e ai começo a tratar de mim. Não sou vaidosa mas sou feminina e devo estar bem aparente. Depois disso, vou para o trabalho. Durante a semana estou na Chocolate a maior parte do tempo, à sexta-feira vou para ZAP para fazer as gravações e à noite é quando eu tenho mais tempo para me dedicar ao blog, o que nem sempre acontece porque, às vezes, chego muito tarde à casa e depois também tenho de estar com a minha filha.

Marca ou qualidade? O que é que mais pesa na escolha de um produto?

Sempre a qualidade. Eu já tive a possibilidade de visitar fábricas de grandes marcas internacionais e ver quais são os parâmetros de produção. Obviamente, há marcas internacionais que trabalham com matérias-primas de alta qualidade, mais nobres... o nosso objectivo é fazer com que as marcas não tenham tanta visibilidade, mas sim a qualidade dos produtos,  quer nos sapatos, quer nas roupas que visto. Entretanto, nos produtos que eu consumo em casa, sou um pouquinho mais picuinhas. Também não vou pela marca, mas pela qualidade e gosto de experimentar tudo para depois poder julgar e avaliar. Uso o que realmente gosto e a base de tudo é a qualidade!

 Em que bens mais gasta?

 Alimentação, sem sombra de dúvidas. Mas eu não gasto muito dinheiro (Risos). Tenho algumas parcerias com marcas que fazem com que eu não gaste muito, mas isso é a nível de estética. Porém, tenho uma queda por sapatos, em uma quantidade muito vergonhosa.. Mas, se entram cinco, saem dez.  As primas e as amigas vão levando, às vezes obrigam-me a receber algum valor, mas não sou boa comerciante (risos), principalmente se são pessoas amigas. Mas também procuro, às vezes, produtos de marca nos outlets e não tenho vergonha de dizer isso, porque lá encontro essas grandes marcas com 70% de descontos.

 Fale-nos mais sobre si, a sua infância e as principais influências teve para o que é hoje, tanto como pessoa quanto como profissional.

 Eu nasci em Angola, mas fui para Portugal com dois anos de idade. Cresci com dois irmãos (homens), os meus pais sempre foram divertidos com uma mente muito aberta deixando-nos à vontade para fazer as coisas e questionarmos sobre elas. E lembro-me do que o meu pai dizia quando tivéssemos que sair: “podem ir, mas não me façam andar na rua de cara baixa”. Isto é uma coisa que tem muito peso e sempre tive isso muito assente, daí que fui uma pessoa muito tranquila. Gosto de estar em casa, de ler e ver televisão. Sou muito sonhadora, acredito muito nos zodíacos e nos astros, sou uma típica aquariana. A minha cabeça esta sempre muito a frente. Tenho uma mente realmente criativa, o que é bom, até no meu trabalho também sou uma pessoa muita tranquila, o que permite que eu raramente reaja a quente, mas antes assimile as coisas, pense e refleta muito bem para depois responder. Aos 24 anos de idade, voltei a Angola com o pai da minha filha, com quem vive 14 anos, e quando cheguei tive aquela sensação de que “eu conheço isso” senti-me em casa. É uma sensação muito estranha porque é um lugar onde se estive até aos dois anos e não tinha referências. Depois trabalhei em publicidade durante alguns anos...

 Principais desafios para 2016? O ano já vai no sexto mês. O que é que já realizou?

Este ano eu queria muito trabalhar na divulgação do meu blog, porque vai ter algumas novidades que eu acho que vão ser muito interessantes. Estou muito ansiosa para ver como é que vai correr e qual vai ser a reacção das pessoas. Estou também na ZAP com o espaço “Moda & Beleza”, mas efectivamente gostava de ter um programa meu ligado à moda, em televisão, idealizado e conduzido por mim.

É preciso ter um espírito muito forte para conseguir lidar com tanta maledicência que há aqui...

 

Quais são as suas preferências ao nível da música, dança e pintura?

Quanto a música eu sou bastante eclética. Gosto muito de Jazz, Bossa Nova, Blues e Soul Music. Gosto de música tranquila. No carro tenho Asa, Lokua Kanza, Gabriel Tchiema e Filipe Mukenga. Tenho ainda Bruna Tatiana (que é muito minha amiga) e Titica que ofereceu-me recentemente o CD. Gosto imenso de dançar, adoro uma boa passada, não uma “tarrraxinhas” porque não acho piada. O meu pai dança muito bem e eu desde miúda sempre que íamos às festas com ele dávamos um show nas pistas de dança. Também já fiz aulas de salsa durante muito tempo. O Kuduro não sei dançar, nem o “Do Milindro” consigo dar. A minha filha farta-se de rir com a minha falta de jeito. Pintura não tenho quadros em casa mas aprecio, temos vários quadros no escritório da Chocolate e gosto de muitos. A nível de artistas nós estamos muito bem servidos, pena é que os nossos artistas não são valorizados, eu tento fazer a minha parte e criei agora uma rubrica na revista que é “Cultura” para falar dos artistas nacionais, tanto consagrados como os aspirantes.