Mário Tendinha descreve percurso do projecto “Olongombe”, cuja exposição encerra hoje

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O artista plástico Mário Tendinha, um dos mentores do projecto do colectivo de arte “Olongombe” - exposição itinerante, cujas obras se encontram patentes no Centro Cultural Português desde o passado dia 2 deste mês e encerra hoje - declarou que, para si, o momento mais bonito aconteceu no Namibe, onde pôde sentir uma enorme empatia entre os artistas e centenas de jovens, alunos de escolas, que os visitaram, tendo relatado que no Lubango, o colectivo fez a exposição dentro da Feira do Gado e foi muito interessante falar com os pastores e vê-los a apreciar o trabalho.

“O projecto nasceu duma conversa entre diversos pintores, há um ano, sobretudo entre mim e o Paulo Amaral, que desde então decidimos convidar tantos outros artistas para se juntarema nós”, lembra, acrescentado que na ocasião cada um recebeu uma cabeça de boi e começou a trabalhar nela, mas para além disso tinha que fazer mais quatro quadros. Porém, Masongi Afonso, além dos quadros de pintura, por ser também escultor, tinha é que fazer um conjunto de 6 obras nesta área, além daquelas que fazem parte de uma instalação geral.

Mário Tendinha, que falou ontem ao ONgoma, descreveu que houve um grande entrosamento entre os artistas, mas cada um foi trabalhando individualmente no seu atelier, de acordo com o tema proposto. “Só nos confrontámos uns com os outros, antes de avançarmos com as exposições, em que tivemos que reunir as obras para serem fotografadas para o catálogo. Só aí que conhecemos as obras uns dos outros, porque antes disso não tínhamos trocado opiniões, mas percebemos que no final cada um de nós tinha interiorizado perfeitamente a ideia do projecto”, afirmou, satisfeito.

De acordo com a fonte, cada um à sua maneira representou exactamente aquilo que foi proposto, sendo que o colectivos achava interessante trabalhar na cabeça do boi e ligar esse trabalho às realidades e as tradições dos povos que trabalham mais com o gado, com maior predominância nas populações pastoris ao sul do país, como Benguela, Namibe e Huíla. Entretanto, frisa, “fazia sentido levarmos estes trabalhos a estas províncias e confrontar as pessoas dessas comunidades com a nossa visão estética sobre a tradição”, realçou.

Desta feita, o artista afirmou que o principal objectivo foi o de se fazer uma homenagem às populações do sul de Angola que trabalham com o gado, sendo este o centro da vida de milhares de pessoas e famílias, que está relacionado não só aos aspectos económicos, mas também a uma tradição milenar, arraigada nos usos e costumes destas. “Estas pessoas não se distinguem pela forma de trajar ou pelos bens materiais, mas pela quantidade de bois”, recordou.

O projecto, que reúne obras de escultura, desenho impresso e pintura, para além de outras categorias, foi inaugurado no dia 4 de Agosto, e conta hoje, 22, como o último dia da exposição, com a projecção de um documentário feito pela TV Zimbo, mais propriamente pelo programa “Kooltura”, que juntou uma série de blocos de tudo que foi feito durante a actividade.

De acordo com o responsável, existe ainda a ideia de ir-se mostrar, pelo menos para o próximo ano, a mais duas províncias, Cuando Cubango e Cunene, no caso. “A província do Cunene será sempre a mais importante, do ponto de vista desta actividade, por ser a localidade do país onde há mais gado. Na altura, poderão não ser estes os quadros ou apenas estes artistas”, referiu.

Fizeram parte da iniciativa, dentre outros artistas, António Gonga, Paulo kussy e António Ole. A mesma contou com o apoio institucional do Ministério da Cultura e dos governos das províncias da Huíla, Benguela, Namibe e Luanda, sobretudo por parte dos seus governadores, a nível de alojamento e alimentação, e de alguns meios de informação como a Rádio Mais e o jornal O País, além da TV Zimbo, informou Mário Tendinha.