Aline Frazão: “É deveras complicado e difícil, mas continuo a achar um enorme privilégio poder escrever”

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A cantora Aline Frazão revelou ao ONgoma News que tem sido difícil conciliar as suas responsabilidades artísticas com a escrita. Além de compositora e produtora, Aline Frazão faz parte de um painel de cronistas do jornal Rede Angola, mas afirma que é muito difícil para si, sendo que, devido à escassez de tempo para escrever, algumas vezes há erros.

“Existem também aqueles momentos de pouca inspiração, pois há tanta coisa a acontecer que depois acabo por entregar muito tarde as crónicas, quando, por exemplo, saio dum evento e fico sem tempo para escrevê-las. É deveras complicado e difícil, mas continuo a achar um enorme privilégio poder escrever e fazer parte dos cronistas do Rede Angola”, afirmou.

De acordo com Aline Frazão, a escrita é um gosto antigo, e hoje, passados três anos, continua escrever uma crónica por semana. “A receptividade das pessoas tem sido agradável. Hoje, principalmente em Angola, tem sido raro haver alguém que me diga que gosta muito do meu trabalho e não me diga que gosta muito das minhas crónicas”, acrescentou.

Na conversa que manteve com o ONgoma News, Aline Frazão relevou alguns parcerias que tem tido com escritores angolanos, com destaque para Ondjaki e José Eduardo Agualusa. No seu primeiro trabalho discográfico, explicou que rapidamente, nos primeiros contactos que teve com os autores, surgiu-me a ideia de fazer uma colaboração. “Na altura, o Agualusa mandou-me por email três letras, eu escolhi o ‘Céu da tua boca’, que entrou no disco, posteriormente enviei-lhe a música e gostou. Já com o Ondjaki, cheguei a musicar um dos seus poemas que já havia sido editado, do livro ‘Espanador de Tristezas’, envie-lhe mas senti que ele não havia gostado tanto. A princípio, fiquei um pouco desanimada, mas passado algum tempo mandou-me a letra do ‘Amanhecer’, que depois foi inserida no álbum. Portanto, as parcerias com escritores têm funcionado nesse sentido, o que para mim é muito importante, pois cria uma forte relação entre os artistas.”

Já no que diz respeito à relação com outros músicos, a cantora já partilhou palcos com artistas de música Rap em alguns eventos, nacionais e não sou, dos quais se destacam MCK, Bob da Rage Sense e Ikonoklasta. Entende que uma das características do Hip-Hop é “agradar ou ser odiado” e realça que sempre foi muito apaixonada pelo movimento Hip-Hop alternativo angolano. “Faz parte da minha formação musical como letrista e cidadã”, argumentou.

Por fim, Aline Frazão declarou que ficou muito contente quando pela primeira vez juntou-se e ao MCK, num concerto em Lisboa, que decorreu em solidariedade aos activistas detidos na altura, qual também fez parte o músico Bonga. “Estar ao lado destes artistas foi algo muito importante e memorável para mim. Posteriormente estivemos juntos cá em Luanda, num concerto que defendia a igualdade de género, para mim, um tipo de activismo importante a ser feito cá, onde houve realmente uma junção entre o meu público e do MCK, ainda com a participação do Flagelo Urbano e da Girinha. Foi bonito de mais ver as pessoas misturadas e a cantarem as mesmas músicas. Uma das melhores noites da minha vida em palco.”